De noite,quando coloco a cabeça na almofada,cogito na minha mäe pátria amada que forjou Mondlane,pela qual lutou Machel e através da qual enriqueceram uns e outros.
Nao sei se é para rir ou para chorar,ambas säo válidas porque ou rio ou choro,porém de nostalgia.
Mas a verdade é que no país da marrabenta todo povo dança ao ritmo e som do batuque da maçaroca!
Enfim, coisas de Moçambique.
Coisas de Moçambique, onde a detençäo de cargos políticos de alto nível é um passaporte válido para a riqueza.
Coisas de Moçambique, onde após dois mandatos em cargos públicos exercidos pela mesma pessoa,a mesma tem direito ao afamado "salário histórico".Imagino os cotas Chissa's e Maleiane.Bufunfa até...Sob este prisma até apetece dizer:"que bom trabalhar para o Estado".
Com tantos trabalhando trinta e poucos anos auferindo uma mísera pensäo.
Coisas de Moçambique, no que concerne ao domínio da funçäo pública,onde o salário mínimo é de 1.700,00 meticais e o máximo é de 200.000,00 meticais, segundo nos afiançou o jornal "Escorpiäo" do dia 29/06/2009,página 2, ediçäo número 62, a apartir de fontes fidedignas.
Estes ordenados "enchem" os bolsos do trabalhador de menor escaläo e do PCA das empresas Estatais respectivamente .Um "djima" a todo custo todos os dias,tem como meio de transporte os famigerados chapa 100,faz ligaçöes,custea os estudos dos filhos,chapas para os filhos,mora em condiçöes precárias,come mal,paga a comida,água,luz,e taxa de lixo (que nem sequer é retirado).Tudo isto a partir de 1.700,00 meticais!!Meus amigos,o saco de arroz está 900,00 meticais!!Em contrapartida o segundo tem motorista particular 24/24h, num carräo executivo último grito,gasolina paga pelo Estado,subsidio de alimentaçäo,casa ou melhor mansäo-palácio paga pelos fundos do erário publico,ou seja,dinheiro dos contribuintes,onde curiosamente o supramencionado trabalhador de escaläo mínimo se nos afigura como um deles,sugando-lhe o pouco que poupou nos bolsos.Coisas de Moçambique.
Coisas de Moçambique,onde o cartäo de eleitor demora apenas 5 minutos e o Bilhete de Identidade 730 dias,ou seja 2 anos a ser emitido.
Pura e simplesmente porque o cartäo de eleitor é do interesse político no afä de obtencao de voto para continuar no poder e o B.I., näo carece de nenhum interesse para os políticos,eis a resposta à demora.
Coisas de Moçambique onde o governo apregoa, quer na diáspora quer na "terra" näo ter fundos para a compra de autocarros públicos quando ao mesmo tempo compra "autocarros de luxo" para servir aos turistas onde cada autocarro equivale a 4 autocarros normais .Näo há dinheiro para o povo,mas para servir ao estrangeiro há dinheiro.O povo está na dependência dos privados para se locomover,o estrangeiro esta na dependência do Estado para se locomover.
Coisas de Mocambique,onde o governo dificulta a todo custo a subida do já magrizelo salário mínimo,e o mesmo governo luta com todas garras,unhas e dentes contra o sindicato para no final conceder um aumento de 17% dum salário de 1.700,00 meticais;é uma forretice e cacatice por parte do nosso governo.Em antagonismo,se olharmos para 17% de 200.000,00 meticais, equivale ao ordenado de um licenciado no aparelho do Estado.
Coisas de Moçambique,onde no mesmo ano em que se reclama de desprovisäo monetária para recrudescer os ordenados, oferecem-se viaturas 4x4, zero quilómetro aos nobres deputados que com o salário obeso que auferem poderiam muito facilmente comprar uma.Neste diapasäo,recordo-me do dia em que passou uma reportagem na qual filmaram um deputado sonecando em plena sessäo extraordinária,e que sorte,que bom,recebeu um carro "zerinho' por essa proeza.
Coisas de Moçambique,onde o lambebotismo de alguns "patröes",com letras sem conteúdo e aplaudidas até por altas personalidades com jantares e lisonjeas é exaltado.Outros "combatentes da fortuna" ilícita säo amplamente estigmatizados e postos à margem em canais de fundos estatais.Os que revelam as "mentiras da verdade" de assuntos sócio-políticos de interesse público em busca näo de um "futuro", mas sim de um Moçambique melhor,mediante critica construtiva säo aberta e veementemente censurados e marginalizados para quem quiser observar em sectores da mídia sustentados pelo Estado.
Coisas de Moçambique,onde a liberdade de expressäo está seriamente ameaçada de intimidaçäo.A proprósito, para o rapper Azagaia...muita força aí mano.
Este é o nosso Moçambique,com tantas coisas,que devem ser reajustadas a um padräo mais justo e humano,o que se pede é humanismo,compaixäo pelo nosso semelhante,porque se nos puséssemos por um só dia no lugar do nosso semelhante a quem näo queremos ajudar movidos por um egocentrismo pernicioso e maléfico,logo näo queremo-lo-ia-mos ser novamente,veríamos quanto dói estar na pele do que "djima" sacos ou do que aufere 1.700,00 meticais.
Meus dirigentes deêm valor ao espírito crítico ao invés de abafá-lo,como diria a minha mäe "se eu näo gostasse de ti,näo te repreenderia",o mesmo vai para aqueles que estäo em eminência e tem na mäo o poder de mudar o curso dos acontecimentos a nível politico,económico e social.
"O Estado naçäo é bom....Moz está a desenvolver".Esta frase nos é familiar.
De nada adianta o desenvolvimento económico quando se negligencia o desenvolvimento humano.
De nada adianta tanto desenvolvimento económico quando este näo se reflecte no "prato de comida" do cidadäo.
Quero deixar patente que näo sou da oposiçäo ou do partido no poder,é uma forma de colocarmos a mäo na consciência e aprendermos com os nossos erros e mudarmos para melhor, tendo compaixäo pelo nosso semelhante.
E mais näo disse,fui.
terça-feira, 28 de julho de 2009
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Infelizmente esta é a realidade de Moçambique e da maioria de paises africanos...e normalmente são paises muito pouco socializados com os conceitos da democracia e logicamente há um enorme disrespeito pelos direitos humanos e, esta condição tende a perpetuar situação de conflitos socias...e claro são nações que preferem ter um povo com uma elevada taxa de iliteracia de forma a aniquilar intelectualmente as pessoas, desta forma os lideres parlamentares escapam de sofrer as criticas de um povo intelectualmente evoluido (este deve ser o pesadelo de qualquer lider africano!)....e claro, há sempre um interesse perverso das multinacionais estrangeiras, para eles convém que certos paises sejam governados por lideres facilmente corrompíveis para terem acesso ás materias primas desses paises...enfim, é um ciclo vicioso de sociedades lideradas por pessoas que cegadas por um capitalismo perverso, por pessoas que ao invéz de servirem o estado para se tornar economicamente e humanamente evoluido, servem-se dele para os seus próprios interesses...
ResponderExcluirInfelizmente situações cmo estas acontecem pelos quatro cantos do mundo...se dermos um espreitadela para a antiga Birmânia ou o Tibete, as coisas são também gritantes...
Parabéns, continue a nutrir o seu espirito crítico, Sr. Yanick
Grande Abraço
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